"Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana"(Carl Gustav Jung).


4 de abril de 2015

Self: Compreendendo-se a SI Mesmo




           O  se discutirá aqui é o conceito científico de Self a partir da Teoria Analítica de Carl Gustav Jung. A definição de self é uma construção relativamente recente. Porém, desde a Antiguidade o homem busca compreender esse algo em seu interior. A produção de conhecimentos na filosofia, a história e o desenvolvimento da cultura ocidental e as pesquisas recentes, especialmente em neurociências e psicologia do desenvolvimento, exercem influências que acarretam transformações no conceito de self. (Macedo e Silveira, 2012).

         Na psicologia trata-se do self como “si mesmo”, a tomada de consciência de ser uma entidade independente e autônoma em relação ao outro. Uma visão racionalista do psiquismo, que ressalta uma perspectiva individualista, pois descreve algo que se passa no interior do sujeito. O início da análise científica do self dá-se a partir de 1890, com a publicação de The Principles of Psychology de William James (Ashmore e Jussim, 1997), mas esse segue sendo um tema de interesse.
                
         Segundo Jung, toda personalidade é formada a partir de um centro que é responsável por seu desenvolvimento, ou seja, na teoria junguiana o self  é  o núcleo central da psique. Conforme Marta Pires Ferreira, artista plástica e estudiosa de Jung para que se possa entender o sentido lato do conceito de Self, centro fundamentalmente ordenador de energias, Jung aponta uma direção; o autoconhecimento. É através da experiência vivida no cotidiano que o ser humano se conhece e chega a este centro. A via a percorrer se faz através do que ele chamou de Processo de Individuação, o caminho do conhecimento do si - mesmo.

             O Self, o autoconhecimento é um termo que se recobre, referindo-se cada qual a um componente determinado da personalidade total da pessoa, Ainda segundo Marta Pires Ferreira o conceito de Self não foi para Jung uma formulação intelectual, mas sim experiência real a partir das potencialidades do inconsciente pessoal e do inconsciente coletivo, substrato comum a todos os seres humanos. Adquirir um autoconhecimento envolve um processo lento, o caminho para a realização do si - mesmo não é uma trajetória fácil. Muito pelo contrário, pode ser cheio de sacrifícios e dificuldades tão grandes que pensamos ser impossíveis de serem solucionadas. O processo de individuação é o processo de depuro de nossa própria existência que se revela a cada dia. Para Jung não existe ser perfeito, mas um ser em busca de descoberta interior, em busca de autoconhecimento diário e infinito.

              É por meio da porta do Self que a nossa personalidade se expressa. Mas como o Self se expressa n é um fenômeno complexo transmitido de diferentes modos por diferentes pessoas. Por exemplo, em uma pessoa pode se expressar pela timidez e em outra pela impetuosidade; numa pessoa pode ser de natureza afetiva e noutra uma atitude de vingança, e ainda em uma pessoa pode ser de abertura e em outra por fechamento. A imagem que um indivíduo tem de si mesmo é construída a partir do seu conceito  do “tipo de pessoa que sou”. Todos nós possuímos crenças sobre nosso valor relativo e último. Sentimo-nos superiores párea certas pessoas, mas inferiores para outras. Podemos ou não nos sentir tão valiosos e capazes como a maioria dos outros indivíduos, e grande parte dessa energia é gasta tentando manter ou modificar nossas crenças a respeito de quão adequados somos ou gostaríamos de ser.

            As pessoas possuem diferentes níveis de consciência distintos do Self , diferentes ideias de si mesmo e, em consequência, diferentes sentimentos a respeito de si mesmas como pessoas. Em outras palavras, poderíamos generalizar que nossos sentimentos de autovalor e autoestima decorrem, em parte, das nossas percepções de como nos vemos em relação a pessoas cujas habilidades, talentos e capacidades são semelhantes às nossas. Concluindo, o self  é aquilo que sabemos  a respeito de nós mesmos, já o autoconceito é o que pensamos a nosso respeito e a autoestima é como nos sentimos a respeito de nós mesmos. Sendo assim, o nosso conceito sobre nós mesmos é uma posse muito pessoal. Como nos vemos a nós mesmos é determinado, em parte, por como percebemos nós mesmos como realmente somos, parcialmente como desejamos ser, e parcialmente por meio das expectativas que percebemos que os outros têm a nosso respeito.  Então, quando a imagem que a pessoa tem sobre ela mesma vem em grande parte das expectativas que os outros têm dela, é muito mais difícil essa pessoa caminhar para o autoconhecimento, ou seja, o que ela sabe dela mesmo vem de referenciais externos, consequentemente, é uma pessoa mais vulnerável ao sofrimento, pois vive sem saber na essência o que ela é realmente para si mesma.

           Embora o conhecimento completo sobre o Self provavelmente seja impossível, a pessoa pode chegar mais perto de uma compreensão de seus limites inferiores e superiores, de seus medos particulares e esperanças secretas, de seus sonhos mais íntimos e suas ambições mais aventureiras; se a pessoa permanecer aberta ao que pensa sobre si mesma, aonde gostaria de ir dirigindo seu próprio caminho, essa pessoa tem mais possibilidade de viver em Paz.

Fonte: HAMACHECK, E. Encontros com o Self. São Paulo: Interamericana (1977).

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