O se discutirá aqui é
o conceito científico de Self a partir da Teoria Analítica de Carl Gustav Jung. A definição
de self é uma construção
relativamente recente. Porém, desde a Antiguidade o homem busca compreender
esse algo em seu interior. A produção de conhecimentos na filosofia, a história
e o desenvolvimento da cultura ocidental e as pesquisas recentes, especialmente
em neurociências e psicologia do desenvolvimento, exercem influências que
acarretam transformações no conceito de self.
(Macedo e Silveira, 2012).
Na
psicologia trata-se do self como “si
mesmo”, a tomada de consciência de ser uma entidade independente e autônoma em
relação ao outro. Uma visão racionalista do psiquismo, que ressalta uma
perspectiva individualista, pois descreve algo que se passa no interior do
sujeito. O início da análise científica do self
dá-se a partir de 1890, com a publicação de The Principles of Psychology de
William James (Ashmore e Jussim, 1997), mas esse segue sendo um tema de
interesse.
Segundo
Jung, toda personalidade é formada a partir de um centro que é responsável por
seu desenvolvimento, ou seja, na teoria junguiana o self é o núcleo central da psique. Conforme Marta
Pires Ferreira, artista plástica e estudiosa de Jung para que se possa entender
o sentido lato do conceito de Self, centro fundamentalmente ordenador de
energias, Jung aponta uma direção; o autoconhecimento.
É através da experiência vivida no cotidiano que o ser humano se conhece e
chega a este centro. A via a percorrer se faz através do que ele chamou de
Processo de Individuação, o caminho do conhecimento do si - mesmo.
O
Self, o autoconhecimento é um termo
que se recobre, referindo-se cada qual a um componente determinado da
personalidade total da pessoa, Ainda segundo Marta Pires Ferreira o conceito de
Self não foi para Jung uma formulação
intelectual, mas sim experiência real a partir das potencialidades do
inconsciente pessoal e do inconsciente coletivo, substrato comum a todos os
seres humanos. Adquirir um autoconhecimento envolve um processo lento, o
caminho para a realização do si - mesmo não é uma trajetória fácil. Muito pelo
contrário, pode ser cheio de sacrifícios e dificuldades tão grandes que
pensamos ser impossíveis de serem solucionadas. O processo de individuação é o
processo de depuro de nossa própria existência que se revela a cada dia. Para
Jung não existe ser perfeito, mas um ser em busca de descoberta interior, em
busca de autoconhecimento diário e infinito.
É
por meio da porta do Self que a nossa
personalidade se expressa. Mas como o Self
se expressa n é um fenômeno complexo transmitido de diferentes modos por
diferentes pessoas. Por exemplo, em uma pessoa pode se expressar pela timidez e
em outra pela impetuosidade; numa pessoa pode ser de natureza afetiva e noutra
uma atitude de vingança, e ainda em uma pessoa pode ser de abertura e em outra
por fechamento. A imagem que um indivíduo tem de si mesmo é construída a partir
do seu conceito do “tipo de pessoa que sou”. Todos nós possuímos crenças sobre nosso
valor relativo e último. Sentimo-nos superiores párea certas pessoas, mas
inferiores para outras. Podemos ou não nos sentir tão valiosos e capazes como a
maioria dos outros indivíduos, e grande parte dessa energia é gasta tentando manter
ou modificar nossas crenças a respeito de quão adequados somos ou gostaríamos
de ser.
As
pessoas possuem diferentes níveis de consciência distintos do Self , diferentes ideias de si mesmo e,
em consequência, diferentes sentimentos a respeito de si mesmas como pessoas.
Em outras palavras, poderíamos generalizar que nossos sentimentos de autovalor
e autoestima decorrem, em parte, das nossas percepções de como nos vemos em
relação a pessoas cujas habilidades, talentos e capacidades são semelhantes às
nossas. Concluindo, o self é aquilo que sabemos a respeito de nós
mesmos, já o autoconceito é o que
pensamos a nosso respeito e a autoestima
é como nos sentimos a respeito de nós mesmos. Sendo assim, o nosso conceito
sobre nós mesmos é uma posse muito pessoal. Como nos vemos a nós mesmos é
determinado, em parte, por como percebemos nós mesmos como realmente somos,
parcialmente como desejamos ser, e parcialmente por meio das expectativas que
percebemos que os outros têm a nosso respeito. Então, quando a imagem que a pessoa tem sobre
ela mesma vem em grande parte das expectativas que os outros têm dela, é muito
mais difícil essa pessoa caminhar para o autoconhecimento, ou seja, o que ela
sabe dela mesmo vem de referenciais externos, consequentemente, é uma pessoa
mais vulnerável ao sofrimento, pois vive sem saber na essência o que ela é realmente
para si mesma.
Embora
o conhecimento completo sobre o Self provavelmente
seja impossível, a pessoa pode chegar
mais perto de uma compreensão de seus limites inferiores e superiores, de seus
medos particulares e esperanças secretas, de seus sonhos mais íntimos e suas
ambições mais aventureiras; se a pessoa permanecer aberta ao que pensa sobre si
mesma, aonde gostaria de ir dirigindo seu próprio caminho, essa pessoa tem mais
possibilidade de viver em Paz.
Fonte: HAMACHECK, E. Encontros
com o Self. São Paulo: Interamericana (1977).

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