Sennett
(2004) aponta, como consequência do “novo capitalismo”, a sensação de insegurança.
Esta assola o conjunto da sociedade e não oferece condições para se planejar o futuro
em longo prazo. Em face desta realidade os jovens adultos pensam, seguindo os ditames
do mercado, que devem se equipar com cursos e formações diversas para poder enfrentar
o mercado de trabalho.
Esta
geração vivencia a instabilidade empregatícia e sente a obrigação de adquirir qualificações
contínuas para ingressar, continuar ou evoluir no mercado de trabalho. Há o
sentimento de estar sempre aquém das exigências demandadas. Pode-se aproximar
este aspecto do que Erhenberg (1998) denomina “individuo insuficiente”, aquele
que incorpora as exigências sociais de se superar continuamente.
Mas
as formações também tem efeitos paradoxais, visto que há jovens que tem cursos universitários
e estão exercendo empregos de nível médio. Eles, apesar da escolaridade, não
conseguiram encontrar empregos compatíveis com suas formações. Muitos deles, após
a conclusão dos estudos e um período de desemprego, assumem a estratégia de não
mencionar no currículo a escolaridade superior. No entanto estas mesmas pessoas
não abandonam o interesse de realizar cursos.
Os
jovens, geralmente de extratos sociais médios ou altos, sabedores da grande competição
existente no mercado de trabalho, sentem que devem estar sempre se atualizando.
Este é um modo de se manterem competitivos e tentarem fazer face as exigências
sempre maiores de seus trabalhos. Vivem uma pressão para não se tornarem
obsoletos em suas formações e competências. Adquirir novos conhecimentos compõe
as diretrizes que se obrigam a seguir. A frase “deve-se ter um diferencial” e
bastante comum entre os jovens. Há nesta ideia um quadro implícito de competição,
onde os mais qualificados são os que tem melhores postos.
Fonte:
CARRETEIRO, T. C. O. Vidas fazendo histórias e construindo história de vidas. In:
Psicologia clínica e cultura contemporânea. Terezinha
de Camargo Viana... et. all. (Organizadoras). Brasília: Liber Livros, 2012, p. 41.42
(Extrato de capítulo)

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