"Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana"(Carl Gustav Jung).


6 de abril de 2015

A obrigação de se adquirir muitas formações....



Sennett (2004) aponta, como consequência do “novo capitalismo”, a sensação de insegurança. Esta assola o conjunto da sociedade e não oferece condições para se planejar o futuro em longo prazo. Em face desta realidade os jovens adultos pensam, seguindo os ditames do mercado, que devem se equipar com cursos e formações diversas para poder enfrentar o mercado de trabalho.

Esta geração vivencia a instabilidade empregatícia e sente a obrigação de adquirir qualificações contínuas para ingressar, continuar ou evoluir no mercado de trabalho. Há o sentimento de estar sempre aquém das exigências demandadas. Pode-se aproximar este aspecto do que Erhenberg (1998) denomina “individuo insuficiente”, aquele que incorpora as exigências sociais de se superar continuamente.

Mas as formações também tem efeitos paradoxais, visto que há jovens que tem cursos universitários e estão exercendo empregos de nível médio. Eles, apesar da escolaridade, não conseguiram encontrar empregos compatíveis com suas formações. Muitos deles, após a conclusão dos estudos e um período de desemprego, assumem a estratégia de não mencionar no currículo a escolaridade superior. No entanto estas mesmas pessoas não abandonam o interesse de realizar cursos.

Os jovens, geralmente de extratos sociais médios ou altos, sabedores da grande competição existente no mercado de trabalho, sentem que devem estar sempre se atualizando. Este é um modo de se manterem competitivos e tentarem fazer face as exigências sempre maiores de seus trabalhos. Vivem uma pressão para não se tornarem obsoletos em suas formações e competências. Adquirir novos conhecimentos compõe as diretrizes que se obrigam a seguir. A frase “deve-se ter um diferencial” e bastante comum entre os jovens. Há nesta ideia um quadro implícito de competição, onde os mais qualificados são os que tem melhores postos.

Fonte: CARRETEIRO, T. C. O. Vidas fazendo histórias e construindo história de vidas. In: Psicologia clínica e cultura contemporânea. Terezinha de Camargo Viana... et. all. (Organizadoras). Brasília: Liber Livros, 2012, p. 41.42 (Extrato de capítulo)



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