"Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana"(Carl Gustav Jung).


20 de abril de 2015

XI SEMANA DE ESTUDOS DO CURSO DE PSICOLOGIA Diálogos Teórico-Práticos da Psicologia na Ciência e na Profissão - Intensificando o Diálogo entre Diferentes Áreas


DATA
8 a 11 de Junho de 2015

INFORMAÇÕES

Inscrições: 24/04 a 21/05

Inscrições para a Semana - 300 VAGAS
§  Estudante do Curso de Psicologia: R$ 70,00 de 24 de Abril a 21 de Maio.
  • Local: As inscrições para a Semana são feitas com os representantes de Salas do Curso de Psicologia.

  • Egressos, Público Externo e Outros Cursos: R$ 90,00 de 24 de Abril a 21 de Maio.  
  • Local: Inscrição na Coordenação do Curso de Psicologia – Quarta-Feira e Quinta-Feira das 15h às 17h e das 19h30 às 20h30.

Inscrições para os Minicursos
§  Estudante do Curso de Psicologia: R$ 10,00 por curso, de 24 de Abril a 21 de Maio, toda Quarta e Quinta-Feira das 20h às 21h com a Coordenação de Curso.
§  Pré-Requisito: Para o aluno se inscrever nos minicursos deverá estar inscrito na Semana de Psicologia.

  • Egressos, Público Externo e Outros Cursos: R$ 20,00 por curso, de 24 de Abril a 21 de Maio, toda Quarta e Quinta-Feira das 20h às 21h com a Coordenação de Curso.

PROGRAMAÇÃO

08/06 – SEGUNDA-FEIRA

TARDE

15h – Minicurso: “Fundamentos da Neuropsicologia: uma introdução aos aspectos teóricos e conceituais”
André Luiz Damião De Paula
O minicurso visa apresentar aos alunos uma introdução aos aspectos teóricos e conceituais da Neuropsicologia. Na psicologia, esta área se insere de uma maneira mais conectada com a proposta de análise contemporânea do comportamento, traz características específicas, que serão discutidas, de acordo com a sua consistência teórica, conceitual e de aplicação. 40 Vagas

NOITE

19h30m - Abertura Solene
Prof. Me. Hélio José dos Santos Souza
Pró - Reitor Acadêmico do Centro Universitário UNIFAFIBE
Profª Me. Maria de Lourdes Contro S. Pinto
Pró-Reitora de Relações Institucionais
Profª Dra. Valéria Aparecida Chechia
Coordenadora do Curso de Psicologia do Centro Universitário UNIFAFIBE

19h45 Apresentação Cultural: Banda ARTELIVRE
Banda musical de arte livre é formada pelo docente Prof. Ramiz Candeloro Pedroso de Moraes e alunos do 2º e 4º Ano de Psicologia e executa repertório da Música Pop Brasileira.

20h - Palestra de Abertura - Neuropsicologia e Esquizofrenia: um diálogo sobre os aspectos neuropsicológicos da esquizofrenia.
Palestrante: André Luiz Damião De Paula
Graduado em Psicologia pela Faculdade de Ciências e Letras de Assis da Universidade Estadual Paulista (UNESP). É membro do grupo de pesquisa do Departamento de Neurociências e Ciências do Comportamento da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto - USP. Atualmente é mestrando no programa de pós-graduação em Saúde Mental da FMRP-USP. Tem experiência de ensino e pesquisa em psicologia, com ênfase em neuropsicologia e neurociência cognitiva, cujos principais interesses de investigação incidem sobre os aspectos evolutivos e funcionais da cognição social (reconhecimento de expressões emocionais faciais, tomada de decisão, comportamento moral e teoria da mente), tanto no seu desenvolvimento normal, quanto nas alterações patológicas destas funções.

Local: Anfiteatro I

21h45 – Coquetel de Abertura
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09/06 – TERÇA-FEIRA

TARDE

15h – Minicurso: “Introdução à Psicologia do Esporte e do Exercício Físico”
Victor Cavallari Souza
O objetivo do minicurso é apresentar as principais áreas de atuação da Psicologia do Esporte, evidenciando as particularidades do campo e a diversidade de contextos de atuação com enfoque na prática profissional e aspectos éticos da especialidade. Os alunos terão uma visão ampliada sobre os principais conceitos da Psicologia do Esporte e do Exercício Físico e serão incentivamos a refletir e discutir temas inerentes à essa atuação. Espera-se que, com a participação no minicurso, os alunos sejam capazes de definir e situar a Psicologia do Esporte com maior embasamento e reflexão crítica. 40 Vagas

NOITE

19h30m - Apresentação Cultural: Banda ARTELIVRE

20h15 – Palestra: Psicologia do Esporte no Brasil: realidade, desafios e perspectivas.
Palestrantes: Victor Cavallari Souza e Psicólogos Membros do Núcleo Score – Consultoria Esportiva.
O Núcleo SCORE é uma iniciativa de cinco psicólogos esportivos que uniram forças para consolidar e desenvolver a Psicologia do Esporte em Ribeirão Preto e região, com objetivo de atender às demandas emergentes relacionadas à preparação psicológica de atletas e equipes multidisciplinares esportivas. O Núcleo SCORE atua junto ao esportista buscando o aperfeiçoamento de suas competências psicológicas para melhora do rendimento, qualidade de vida e bem-estar. Dessa maneira, o Núcleo olha para o ser humano e para sua experiência esportiva com a preocupação no desenvolvimento integral deste. Tem como missão auxiliar o desenvolvimento do indivíduo no contexto esportivo embasado nos preceitos da psicologia do esporte, para a promoção do bem-estar e aperfeiçoamento da preparação esportiva de atletas e equipes.

Local: Anfiteatro I

21h45 - Cofee Break
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10/06 – QUARTA-FEIRA

TARDE

15h – Minicurso: “Transtornos alimentares: caracterização, etiologia e tratamento”
Élide Dezoti Valdanha
Psicóloga e Mestre pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FFCLRP-USP). Doutoranda pelo Programa de Pós-Graduação em Psicologia (FFCLRP-USP).  Membro do Laboratório de Ensino e Pesquisa em Psicologia da Saúde - LEPPS (FFCLRP-USP-CNPq). Psicóloga do Grupo de Assistência em Transtornos Alimentares da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, da Universidade de São Paulo (GRATA-HC-FMRP-USP). O minicurso visa apresentar aos alunos contribuições teóricas, metodológicas e de tratamento dos transtornos alimentares. Tal proposta vem em função da demanda de pessoas com transtornos alimentares que atualmente precisam de apoio em seus serviços psicológicos, sejam atendimentos individuais como em grupos. 40 Vagas

NOITE

19h30 - Apresentação Cultural: Banda ARTELIVRE

20h15 - PalestraSubstâncias Psicoativas: suas consequências e possíveis intervenções
Palestrante: Elvio Bono
Psicólogo pós-graduado em Farmacodependência e treinamento em Terapia Cognitivo Comportamental aplicada ao abuso de substâncias psicoativas. Mestrado em andamento com o tema: "Adolescentes, abuso de álcool e outras drogas e atos infracionais: investigação das relações existentes” no Departamento de Psicologia da Universidade de São Paulo. Tem experiência profissional com adolescentes infratores e Psicologia Jurídica atuando no Núcleo de Atendimento Integrado/Tribunal de Justiça/Vara da Infância e Adolescência de Ribeirão Preto. Atualmente desenvolve atividades clínicas no Programa de Álcool e Drogas (PAI-PAD) do Departamento de Psiquiatria da Universidade de São Paulo - HC - Ribeirão Preto.

Local: Anfiteatro I

21h45 - Cofee Break
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11/06 – Quinta-Feira

TARDE

15h – Minicurso: “Conhecendo a Terapia Cognitiva Comportamental”
Saulo Valmor Batista
Psicólogo e Mestre em Psicologia pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto-USP. Atuou como colaborador de pesquisa e supervisor de estágio no Laboratório de Pesquisa e Intervenção Cognitivo-Comportamental de Ribeirão Preto-USP. Membro do grupo Aprendizagem, Desenvolvimento e Saúde Mental do Escolar da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto-USP. Desenvolve pesquisas no campo da educação e das organizações, utilizando a abordagem cognitivo-comportamental.  O minicurso objetiva apresentar a Terapia Cognitivo-Comportamental como uma abordagem inovadora de psicoterapia, descrevendo brevemente seus principais conceitos e sua aplicação nas diversas áreas. Será abordado o desenvolvimento histórico da TCC e sua inserção no cenário contemporâneo das psicoterapias. Além disso, tem a finalidade de apresentar as técnicas e estratégias terapêuticas, como a identificação e desafio de pensamentos automáticos e de esquemas e crenças; a conceituação cognitiva de casos clínicos; a estrutura de sessões e do processo clínico; e a definição da estratégia de intervenção clínica. Também enfatizará a interatividade; com breves treinamentos nas técnicas aplicadas, e a apresentação de vídeos, role-plays e treinamentos comportamentais, para ilustração da teoria e dos procedimentos terapêuticos abordados. 40 Vagas

15h – Minicurso:Avaliação de risco: terrorismo e outras formas de violência”  40 Vagas
André Vilela Komatsu
Psicólogo e Mestre em Psicologia pela Universidade de São Paulo (Ribeirão Preto) com experiência e em Psicologia Social, Prevenção e Intervenção do uso de Drogas e Psicologia Jurídica e Forense. O minicurso O minicurso abordará o conceito de violência e as diferentes formas que ela pode tomar, sendo dividido em duas partes. Na primeira, um panorama geral sobre terrorismo e o que a Psicologia sabe sobre os autores de atos terroristas, como perfis psicológicos, culturais e sociais, juntamente com uma introdução aos instrumentos que auxiliam psicólogos na tomada de decisões quanto ao risco para emissão de atos violentos. Na segunda parte, os participantes colocarão em prática seus conhecimentos com um estudo de caso

NOITE

19h30m - Apresentação Cultural: Banda ARTELIVRE

19h45 - Psicologia e Qualidade de Vida: a atuação do psicólogo hospitalar na oncopediatria
Palestrante: Thamires Monteiro do Carmo
Psicóloga do Hospital de Câncer Infanto-juvenil do Hospital de Câncer de Barretos. Mestranda  em Ciências da Saúde pela Fundação Pio XII - Hospital de Câncer de Barretos, pós-graduanda lato sensu em Terapia Cognitivo-Comportamental pelo Instituto de Psicoterapia Cognitivo-Comportamental (IPC). É integrante do Grupo de Pesquisas em Cuidados Paliativos e Qualidade de Vida Relacionada à Saúde (CNPq). Vem desenvolvendo pesquisas principalmente na área de Cuidados Paliativos e Qualidade de Vida.

21h - Apresentação Cultural 

Local: Anfiteatro I


21h45 - Coquetel de Encerramento


COMISSÃO ORGANIZADORA
Coordenação
Profª. Drª. Valéria Aparecida Chechia
Coordenadora do Curso de Psicologia

Docentes
Amanda Muglia Wechsler
Ana Carolina Cavallini
Ana Cristina Zordan Rani
Cesar Oscar Ornellas
Paulo Celso Pereira
Ramiz Candeloro Pedroso de Moraes
Renato Cezar Silvério Junior
Saulo Valmor Batista

Discentes
Aiana Claro de Souza
Bruna Africo Pardini
Bruna Camila Ribeiro
Bruna Domingues Ribeiro
Bruna Vicente de Oliveira Lopes
Camila Ferrari
Célia Regina Couto Castro
Claubia Regina Ramos Nogueira
Daniel Fernandes Pinto
Eduardo de Souza Constantin
Marcus Vinicius Hilário
Maria Eduarda Marcondes da Silva
Michael Luis Alencar
Natália Barrozo
Nathália Lionel de Carvalho
Natally Fernandes Domingues de Souza
Sâmella Fernandes Brito Tomaz
Vinicius Dutra Santana
Wagner Montalvão Maciel


19 de abril de 2015

Palestra sobre a Psicologia Nas Organizações

      Existe, hoje, a necessidade de se buscar constante melhoria na formação profissional que está sofrendo os reflexos de um mundo mais competitivo e especializado. Esta nova visão na formação do Psicólogo pode orientar-se pela psicologia aplicada em uma estrutura organizacional. Pretendeu-se com esta palestra proporcionar, de forma simplificada, uma familiarização com a aplicação da psicologia na administração do Hospital do Câncer de Barretos. A Psicóloga Maísa Barbon Pacheco atualmente Analista de Gestão - RH no HOSPITAL DO CÂNCER DE BARRETOS discutiu os aspectos Rotina do Psicólogo Organizacional dentro das Instituições, a abrangência da área, os desafios enfrentados e projetos que podem ser desenvolvidos.

Alunos Membros do Grupo Ativamente do Curso de Psicologia UNIFAFIBE que promoveram o evento no dia 13 de Abril de 2015.
Profa. Amanda Muglia Wchsler do Curso de Psicologia 
Palestrante Psicóloga Maísa Barbon Pacheco










17 de abril de 2015

A Psicologia e seus campos de atuação

A Psicologia é uma profissão de inúmeras possibilidades. Quando pensamos em um Psicólogo, geralmente o vemos sentado em um sofá frente a um divã, em um consultório clínico. Entretanto, essa imagem não representa todas as possibilidades presentes ao aluno que cursa Psicologia.
A formação acadêmica básica do psicólogo busca apresentar e habilitar o aluno a desenvolver as competências e habilidades necessárias para que ele possa desenvolver seu próprio caminho de trabalho. Assim, no decorrer do curso, você percebe que cada colega de sala acaba buscando sua identidade nas diversas formas de atuação. Mais quais são elas?
Segundo a Guia do Estudante da Abril (http://guiadoestudante.abril.com.br/profissoes/saude/psicologia-688166.shtml), listamos abaixo uma série de campos de atuação do psicólogo. O estudante de Psicologia tem, portanto, inúmeras possibilidades de futuro. Leia a lista abaixo do “Guia do Estudante” e veja com qual área você se identifica mais! Verifique também que o Curso de Psicologia UNIFAFIBE consta com 3 Estrelas no Guia do Estudante.

  • Psicologia clínica: Atender pessoas que sofram de problemas emocionais. Essas intervenções podem ser individuais, em grupos, sociais ou institucionais.
  • Orientação profissional: Orientar estudantes na escolha do curso e da profissão a seguir.
  • Psicologia educacional: Ajudar pais, professores e alunos a solucionar problemas de aprendizagem. Colaborar na elaboração de programas educacionais em creches e escolas.
  • Psicologia da saúde: Ao lado de outros profissionais da saúde, como médicos e assistentes sociais, colaborar na assistência à saúde, fortalecendo pacientes e familiares para a recuperação da saúde física e mental.
  • Psicologia hospitalar: Atender pacientes hospitalizados e seus familiares.
  • Psicologia jurídica: Acompanhar processos de adoção, violência contra menores e guarda de filhos. Atuar em presídios, fazendo a avaliação psicológica de detentos.
  • Psicologia organizacional e do trabalho: Selecionar funcionários para empresas. Treinar e formar pessoal especialista em recursos humanos. Promover relações sociais saudáveis entre os trabalhadores. Orientar carreiras e colaborar em programas de reestruturação do trabalho.
  • Psicologia social: Atuar em penitenciárias, asilos e centros de atendimento a crianças e adolescentes. Elaborar programas e pesquisas sobre a saúde mental da população.
  • Psicomotricidade: Utilizar-se de recursos para o desenvolvimento, a prevenção e a reabilitação do ser humano, nas áreas de educação, reeducação e terapia psicomotora. Participar de planejamento, implementação e avaliação de atividades clínicas e elaborar parecer psicomotor em clínicas de reabilitação e nos serviços de assistência escolar, hospitalar, esportiva, clínica etc.
  • Neuropsicologia: Atua no diagnóstico, no acompanhamento, no tratamento e na pesquisa da cognição, das emoções, da personalidade e do comportamento sob o enfoque da relação entre esses aspectos e o funcionamento cerebral.

 Autor: Vitor Hugo de Oliveira

10 de abril de 2015

Quebrando o Encanto da Mulher-Princesa do Século XXI: uma reflexão da psicologia analítica de Jung a partir do mito de Lilith


A mulher do século XXI segundo Gomes e Almeida (2007) conquistou sua liberdade e sua igualdade jurídica perante a comunidade dos homens, contudo, a figura feminina continua envolta em uma bruma de mitos e de ignorância sobre seus papeis sociais. O papel que a mulher ocupa na sociedade atual demonstra claramente as consequências deste fato construído historicamente e que estabelece as normas que orientam sua posição no círculo social. Compreender essa dinâmica ao longo do tempo é essencial para que se identifiquem os fatores que interferem na imagem feminina e em suas possibilidades de alcance nos mais variados setores da sociedade. A mulher contemporânea é mãe, profissional, esposa e ainda deve encontrar tempo para cuidar de si. Nesse sentido, a Psicologia Analítica de Carl Gustav Jung faz referência a alguns aspectos do inconsciente e suas relações com o mito de Lilith

Na mitologia Lilith não é explicitamente apresentada nas escrituras Judaico-Cristãs, porém, vem sendo estudada em textos da antiguidade, principalmente da Torah assírio-babilônica e hebraica, além de outros textos apócrifos.  Lilith é a primeira companheira de Adão, criada do mesmo material que ele, igual a ele. As lacunas bíblicas permitem a hipótese da retirada desta personagem do texto, além do mito em si e as análises pertinentes à Psicologia.

“O mito de Lilith pertence à grande tradição dos testemunhos orais que estão reunidos nos textos da sabedoria rabínica definida na versão jeovística, que se colocada lado a lado, precedendo-a de alguns séculos, da versão bíblica dos sacerdotes (…) a lenda de Lilith, primeira companheira de Adão, foi perdida ou removida durante a época de transposição da versão jeovística para aquela sacerdotal, que logo após sofre as modificações dos pais da Igreja”, como explica Sicuteri (1998, p.43). Segundo esta narrativa mítica, ao contrário de Eva que foi criada por Deus da costela de Adão ( segundo a narrativa de Gênesis), Lilith, de acordo com Hermínio, foi feita do barro, à noite. Lilith tinha em sua aparência obscura sangue, saliva e lágrimas. Assim, Lilith teria sido criada tão bonita e interessante que logo arranjou problemas com o primeiro o homem. Ainda segundo a narrativa mítica, Eva foi criada para substituir Lilith. Eva seria o oposto de Lilith.

No entanto, na perspectiva do mito, as relações entre Adão e Lilith foram marcadas pela emergência pela paixão capaz de dominar Adão e fazê-lo perder a razão e entregar-se a luxuria. Acredita-se que a sedução produzida por ela o fazia afastar-se de seus compromissos com a divindade. A tradição dos transcritos oral das versões aramaicas e judaicas afirmam que a relação entre os dois era perturbadora. Os conflitos entre Lilith e o primeiro homem decorriam da atitude desta contra a submissão que lhe fora imposta pela comunidade patriarcal. Diante da recusa de Adão ao pedido de Lilith por igualdade, inclusive durante as relações sexuais, ela é expulsa da comunidade dos homens e recebe como punição o exílio no Mar Vermelho e sua transformação num demônio feminino (Gomes e Almeida 92007).



Ainda, conforme Gomes e Almeida (2007) a narrativa do mito de Lilith nunca foi considerada como canônica pelos Pais da Igreja pertencendo a chamada literatura apócrifa ou deuterocanônica.  A alta crítica de caráter liberal considerou estes escritos como pertencendo a chamada produção jeovística, que precede de alguns séculos, a versão canônica sacerdotal. Esta versão é contestada pela igreja católica e protestante. Para os autores Lilith é desconhecida do cristianismo primitivo embora tenha aparecido nos primeiros séculos da era cristã.

A tradição oral de acordo com Gomes e Almeida (2007) afirma que Adão queixou-se a Deus sobre a fuga de Lilith e, para compensar a tristeza dele, Deus resolveu criar Eva, moldada exatamente para as exigências da sociedade patriarcal. Eva, segundo a narrativa bíblica foi criada por Deus à partir da costela de Adão. É o arquétipo, modelo feminino, segundo a tradição judaico-cristã. Desse modo, Eva é aquela mulher submissa e devotada ao lar. Assim, enquanto Lilith é força destrutiva (o Talmude diz que ela foi criada com a imundície da terra e do lodo), Eva é construtiva e Mãe de toda humanidade (ela foi criada da carne e do sangue de Adão) segundo Gen. 2: 1-21. O ideal de uma mulher submissa domina o imaginário cristão na sociedade católica brasileira. Este desejo de submissão da mulher ao homem pode ser bem exemplificada pela síndrome de Amélia do poema “Ai que saudades da Amélia” da letra de Ataulpho Alves e Mário Lago.

Na perspectiva analítica de Carl Gustav Jung os mitos são considerados como verdades puramente psicológicas, ou seja, estruturas da mentalidade humana. São arquétipos que servem para compreender o desenvolvimento do pensamento humano em sua totalidade. Não convém discutir se Lilith existiu, se foi um mito dos povos pré-bíblicos ou não. Importa considerar o mito como uma parábola para se compreender alguns comportamentos femininos atuais. Desse modo Lilith é atual e serve para compreender alguns aspectos do comportamento da mulher ocidental em sua luta pela reintegração na comunidade dos homens. O mito de Lilith não esgota em si mesmo tudo que se pode escrever sobre a mentalidade da mulher.

Na visão junguiana, Lilith seria o lado obscuro e negativo da anima, isto é, os aspectos femininos não integrados da psiquê humana. Em termos gerais, isto quer dizer, que ela representa o oposto das características que foram culturalmente atribuídas como obrigações femininas. Lilith representa, portanto, a rebeldia contra a passividade, à submissão e a obediência. O repúdio à tradição patriarcal de dominação do homem sobre a mulher; a luta pela igualdade de condições e direitos e principalmente o desenvolvimento de ações seguras e assertivas diante de seus ideais.

Relacionando esse mito à psicologia analítica pode-se afirmar que ele carrega em sua estrutura onírica uma verdade puramente psicológica. No caso de Lilith o mito refere-se a uma figura arquetípica feminina: o lado negativo da anima, cujo caráter de arquétipo assegura seu aspecto primitivo. Lilith é a mulher em estado natural, antes de sofrer as transformações impostas pela cultura. Neste estado a mulher recusa-se a submeter-se ao homem seja no ato sexual, seja nas relações entre os sexos na vida cotidiana. Lilith, portanto, se reconhece como igual ao homem, não admitindo nenhuma hierarquia nem biológica, nem social. É sua igual e espera ser tratada assim pelo varão como enfatiza Gomes e Almeida (2007).

E então? O que há de errado com as mulheres independentes? São todas loucas ou demoníacas como a mitológica Lilith? Ou ambas as coisas?  O lado demoníaco parece ser o resultado da tentativa da mulher em reinventar a condição de mulher em uma cultura que prescreve um papel muito diferente como sendo adequado para as mulheres. O que observa-se é que a mulher, “verdadeira”,  a cinderela que precisa de um príncipe, ainda é a mais aprovada pela sociedade, enquanto que as independentes ainda lutam contra os critérios advindos da cultura tradicional que prescreve que toda mulher deve ter um homem, se casar, ser mãe e cuidar da prole.

Para Neotti (1973) está ocorrendo uma transformação na imagem tradicional e servil da mulher. A mulher não é mais objeto de satisfação dos desejos do homem e símbolo da natureza bruta, mas sim mediadora do próprio universo, sujeito, pessoa livre, consciente e responsável. Torna-se portanto tormento para o homem, questionando-o a cada momento de sua existência comum, no mais profundo do seu ser.



Todavia a mulher independente está tendo um novo olhar para o amor, para os homens, para o trabalho e estão pagando um preço alto, em especial sobre o amor, já que nossa cultura considera o amor um “tema feminino dependente”. Espera-se que a mulher seja guardiã do amor, que o distribua, o alimente e se preocupe com ele. A função mais importante como guardiã do amor é amar os homens. Uma mulher “verdadeira” e certamente a “boa” é uma mulher que ama e se casa, que cultiva ninharias, enfeites, bebês e em especial os meninos grandes que são os homens “verdadeiros” os príncipes. Já a mulher independente e autônoma em si mesma, nessa contexto é vista como a chegada a Oz da Bruxa Malvada do Oeste, ela é a encarnação de Lilith cujo pensamento é subversivo e sua existência é um convite a romper com o ENCANTO.

No entanto, enquanto a mulher cinderela a “verdadeira” mulher cultua ter a sua identidade conhecida como “mulher de fulano de tal...”, por outro lado a autônoma “independente” tem em seu destino buscar sua identidade definida por si mesma e não por adjunto de “seu” homem; Ela pode ou não terminar com “fulano de tal”, mas se o fizer não será como “Sra. Fulano de tal”, desafiando as suposições ocultas da nossa cultura. Então será ela uma encarnação de Lilith? Ou será ela feliz na sua independência? Para a sociedade é vista como a infeliz, já que todas as mulheres são mais felizes quando fazem par com um homem.

Portanto, qualquer coisa que as mulheres estiverem fazendo quando não estão em parceria com um homem, mesmo que pareça felicidade, é na verdade, para a cultura “cinderelista” uma felicidade irreal. Talvez, na perspectiva analítica, seja por isso que algumas mulheres quase enlouquecem tentando entrar em um relacionamento com um homem dizendo a si mesma que isso é felicidade, mesmo que se sintam profundamente infelizes.  Concluindo, numa reflexão analítica, se faz necessário que a mulher seja ela “independente” ou a “verdadeira cinderela” reflita sua posição frente ao amor, à necessidade de ser feliz somente em parceria com um homem, à necessidade de uma vida amorosa mesmo que esta esteja trazendo os momentos mais difíceis de sua vida, porque quando a mulher não aprova a dependência à uma parceria como o mais importante da sua vida, ela fica livre para amar como, quem e quando quiser, sem se submeter ao protocolo cultural da  sociedade.

Referências

GOMES, A. M. de A. e ALMEIDA, V. P. O Mito de Lilith e a Integração do Feminino na Sociedade Contemporânea. Âncora Revista Digital de estudos em religião, v.2, 2007.

NEOTTI, A. A mulher no mundo em conflito. Ponta Grossa, 1973.

SICUTERI, Roberto. Lilith: A Lua Negra. São Paulo; Paz e Terra, 1998.

Autora: Profa. Dra. Valéria Aparecida Chechia

6 de abril de 2015

A obrigação de se adquirir muitas formações....



Sennett (2004) aponta, como consequência do “novo capitalismo”, a sensação de insegurança. Esta assola o conjunto da sociedade e não oferece condições para se planejar o futuro em longo prazo. Em face desta realidade os jovens adultos pensam, seguindo os ditames do mercado, que devem se equipar com cursos e formações diversas para poder enfrentar o mercado de trabalho.

Esta geração vivencia a instabilidade empregatícia e sente a obrigação de adquirir qualificações contínuas para ingressar, continuar ou evoluir no mercado de trabalho. Há o sentimento de estar sempre aquém das exigências demandadas. Pode-se aproximar este aspecto do que Erhenberg (1998) denomina “individuo insuficiente”, aquele que incorpora as exigências sociais de se superar continuamente.

Mas as formações também tem efeitos paradoxais, visto que há jovens que tem cursos universitários e estão exercendo empregos de nível médio. Eles, apesar da escolaridade, não conseguiram encontrar empregos compatíveis com suas formações. Muitos deles, após a conclusão dos estudos e um período de desemprego, assumem a estratégia de não mencionar no currículo a escolaridade superior. No entanto estas mesmas pessoas não abandonam o interesse de realizar cursos.

Os jovens, geralmente de extratos sociais médios ou altos, sabedores da grande competição existente no mercado de trabalho, sentem que devem estar sempre se atualizando. Este é um modo de se manterem competitivos e tentarem fazer face as exigências sempre maiores de seus trabalhos. Vivem uma pressão para não se tornarem obsoletos em suas formações e competências. Adquirir novos conhecimentos compõe as diretrizes que se obrigam a seguir. A frase “deve-se ter um diferencial” e bastante comum entre os jovens. Há nesta ideia um quadro implícito de competição, onde os mais qualificados são os que tem melhores postos.

Fonte: CARRETEIRO, T. C. O. Vidas fazendo histórias e construindo história de vidas. In: Psicologia clínica e cultura contemporânea. Terezinha de Camargo Viana... et. all. (Organizadoras). Brasília: Liber Livros, 2012, p. 41.42 (Extrato de capítulo)